MDFe PAA: Nota Técnica 2022.002, Assinatura e Delegação

07 de abril de 2026 | 11 min de leitura | 11 visualizações

A NT 2022.002 do MDFe atualiza as regras do Provedor de Assinatura e Autorização (PAA). Delegue a emissão de DFe com segurança e conformidade fiscal.

MDFe: PAA, Assinatura Avançada e Regras da NT 2022.002

A Nota Técnica 2022.002, versão 1.01, atualiza as diretrizes para o Provedor de Assinatura e Autorização (PAA) de Documentos Fiscais Eletrônicos (DFe), com foco no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDFe). Essa atualização detalha o funcionamento e as validações para empresas que utilizam serviços terceirizados na emissão de seus documentos fiscais. O objetivo é estabelecer os procedimentos técnicos para a integração e segurança das operações de assinatura e autorização.

Provedor de Assinatura e Autorização (PAA)

O Provedor de Assinatura e Autorização de Documentos Fiscais Eletrônicos (PAA) é um serviço que permite ao contribuinte delegar a terceiros a comunicação com os sistemas de autorização das administrações tributárias. Essa funcionalidade é especialmente útil para otimizar os processos de emissão de DFe, como o MDFe, e garantir a conformidade fiscal.

Para utilizar um PAA, o contribuinte emitente de DFe deve vincular-se a um provedor homologado. Essa vinculação ocorre no Portal Nacional dos Documentos Fiscais Eletrônicos, via plataforma gov.br, onde o contribuinte é identificado e associado ao PAA. A ferramenta de emissão do documento fiscal é fornecida pelo PAA, geralmente online, e requer a identificação do usuário.

A Nota Técnica 2022.002 v1.01 estabelece dois modelos de autorização que o PAA pode adotar:

Geração de XML com envio direto ao ambiente de autorização

Neste modelo, o PAA recebe o pedido de emissão do contribuinte, gera o XML do DFe e preenche o grupo infPAA. Dentro deste grupo, a tag SignatureValue é alimentada com a assinatura do atributo Id do DFe, utilizando uma chave criptográfica no padrão RSA fornecida pela administração tributária. Além disso, o DFe deve ser assinado digitalmente com um certificado ICP-Brasil do próprio PAA.

Após a geração e assinatura, o PAA transmite o XML do DFe para o ambiente de autorização. O documento é então submetido às regras de validação do Manual de Orientações do Contribuinte (MOC). Em caso de autorização, o PAA armazena o protocolo. Se houver rejeição, o PAA deve atuar para corrigir o problema.

Plataforma de Emissão Simplificada (PES)

A PES é uma alternativa para emissões específicas, conforme detalhado no Manual de Orientações do PAA (MOPAA). Neste modelo, o PAA envia um pedido de emissão contendo dados comerciais para os webservices da plataforma. A PES se encarrega da geração do XML e da autorização do documento fiscal.

O PAA deve gerar a assinatura do contribuinte usando a chave RSA fornecida pela administração tributária e assinar o pedido de emissão com seu certificado digital ICP-Brasil. O XML final, gerado pela PES, conterá a assinatura RSA do contribuinte na tag SignatureValue (dentro do grupo infPAA), o pedido de emissão do PAA na tag xSolic (no grupo NFF) assinado pelo PAA, e a assinatura qualificada com o certificado digital da SEFAZ Virtual RS (SVRS) na assinatura padrão do DFe. Informações adicionais podem ser consultadas no Manual de Orientações do PAA.

Padrão de Certificado Digital para Assinatura Avançada

A assinatura avançada das mensagens utiliza um certificado digital no padrão RSA, gerado pela Plataforma de Emissão Simplificada. Este par de chaves (pública e privada) é gerado para o contribuinte que se credencia e se vincula ao PAA no portal da SEFAZ Virtual RS, utilizando o login e senha da plataforma gov.br.

O PAA pode obter o par de chaves diretamente do usuário ou de forma automatizada, acessando a operação ObterDadosTAC do serviço PESAdmin da Plataforma de Emissão Simplificada. Os certificados são gerados conforme a especificação OpenSSL, de forma única para cada relação entre PAA e contribuinte vinculado, resultando em um par de chaves PEM RSA 1024 bits.

As chaves são estruturadas para a assinatura digital XML da seguinte forma:

Chave Privada RSA (PrivateKey)

Campo Tipo Ocorrência Descrição/Observação
RSAKeyValue Grupo 1-1 Chave Privada RSA
Modulus Base64 1-1 Parte da chave privada
Exponent Caracter 1-1 Informar 'AQAB'
P Base64 1-1 Parte da chave privada
Q Base64 1-1 Parte da chave privada
DP Base64 1-1 Parte da chave privada
DQ Base64 1-1 Parte da chave privada
InverseQ Base64 1-1 Parte da chave privada
D Base64 1-1 Parte da chave privada

Chave Pública RSA (PublicKey)

Campo Tipo Ocorrência Descrição/Observação
RSAKeyValue Grupo 1-1 Chave Pública RSA
Modulus Base64 1-1 Parte da chave pública
Exponent Caracter 1-1 Informar 'AQAB'

Assinatura RSA e Geração do DFe pelo PAA

O processo de assinatura e geração do MDFe ou evento pelo PAA envolve uma série de passos claros para o emitente e o provedor.

  1. Acesso ao portal: O responsável pela empresa acessa o portal DFe da SEFAZ Virtual RS (SVRS) utilizando seu CPF, autenticando-se pela plataforma gov.br.
  2. Solicitação de vínculo: O emitente solicita o vínculo com um Provedor de Assinatura e Autorização, previamente homologado e disponibilizado no portal.
  3. Obtenção das chaves RSA: O portal SVRS entrega um par de chaves RSA (privada e pública) ao emitente, específico para a relação com o PAA.
  4. Assinatura do Id do DFe: A aplicação do PAA utiliza a chave privada do emitente para assinar o conteúdo do atributo Id do MDFe ou Evento. Essa assinatura segue o padrão assimétrico RSA SHA1, resultando em um SignatureValue no formato base64.
  5. Inclusão da chave pública: A chave pública do emitente é incluída no grupo RSAKeyValue, seguindo o padrão XML Signature para chaves RSA.
  6. Assinatura do DFe pelo PAA: O PAA, por sua vez, assina o DFe completo com seu certificado digital X509 padrão ICP-Brasil.
  7. Transmissão: O PAA transmite o DFe para o serviço de autorização da SVRS.

O emitente pode solicitar o término do vínculo com o PAA a qualquer momento, acessando o portal da SVRS. A administração tributária e o próprio PAA também possuem a prerrogativa de encerrar o vínculo.

Estrutura das informações do PAA no XML do DFe

As informações referentes ao Provedor de Assinatura e Autorização são organizadas no XML do DFe dentro de um grupo específico, conforme detalhado na nota técnica:

Grupo/Elemento Pai Descrição Tipo Ocorrência Tamanho Observação
infPAA infMDFe Grupo de Informação do Provedor de Assinatura e Autorização Grupo 0-1
CNPJPAA infPAA CNPJ do Provedor de Assinatura e Autorização Caracter 1-1 14
PAASignature infPAA Assinatura RSA do Emitente para DFe gerados por PAA Grupo 1-1
SignatureValue PAASignature Assinatura digital padrão RSA Caracter 1-1 Corresponde à assinatura do atributo Id do DFe, após conversão para array de bytes e assinatura com a chave privada RSA do emitente.
RSAKeyValue PAASignature Chave Pública no padrão XML RSA Key Grupo 1-1 Contém os detalhes da chave pública RSA do emitente.
Modulus RSAKeyValue Módulo da chave pública Caracter 1-1
Exponent RSAKeyValue Expoente da chave pública Caracter 1-1

Regras de Validação

Para garantir a integridade e a validade dos DFe emitidos com a participação de um PAA, a SEFAZ Virtual RS aplica um conjunto de regras de validação. O não cumprimento dessas regras resulta na rejeição do documento.

Validações da Assinatura Digital do DFe

A regra F03 verifica se o CNPJ-Base do emitente do DFe difere do CNPJ-Base do certificado digital utilizado na assinatura. A rejeição ocorre se houver essa diferença. Contudo, há exceções:

  • Se a forma de emissão do MDFe for Regime Especial da Nota Fiscal Fácil (tpEmis-3), o CNPJ de assinatura será o e-CNPJ da SVRS.
  • Se o MDFe ou Evento possuir indicação de uso do PAA (grupo infPAA), esta regra não é aplicada, pois a assinatura do PAA segue um padrão específico.

Validações do PAA

Um grupo de regras específicas assegura a conformidade da operação com o Provedor de Assinatura e Autorização:

  • PAA01: Se o grupo infPAA estiver informado, o CNPJ do PAA deve ser válido. Caso contrário, o MDFe será rejeitado com a mensagem "CNPJ do PAA inválido" (cStat 909).
  • PAA02: Se infPAA estiver presente, o CNPJ do PAA (tag CNPJPAA) deve constar na relação de provedores homologados pelo ENCAT. A rejeição (cStat 911) indica que o "Provedor de Assinatura e Autorização não existe na base da SEFAZ".
  • PAA03: Com o grupo infPAA informado, é verificado se o emitente (CNPJ/CPF no grupo emit) possui vínculo ativo com o PAA (CNPJPAA). Caso não haja vínculo, o documento é rejeitado (cStat 912) com a mensagem "Emitente não associado ao PAA".
  • PAA04: Se o grupo infPAA estiver informado e o CNPJ do certificado de assinatura for da SVRS, o tipo de emissão do MDFe (tpEmis) deve ser Regime Especial da Nota Fiscal Fácil (3). A não conformidade gera a rejeição (cStat 910) "Emissão por PAA deve ser do tipo e emissão Nota Fiscal Fácil quando gerado pela Plataforma de Emissão".
  • PAA05: Se infPAA estiver presente e o CNPJ do certificado de assinatura for diferente da SVRS, este CNPJ deve ser igual ao CNPJ do PAA. A rejeição (cStat 915) ocorre com a mensagem "Emissão por PAA deve ser assinada pelo CNPJ do Provedor de Assinatura".
  • PAA06: Quando o grupo infPAA é informado, a assinatura RSA (SignatureValue) é validada com a chave pública do emitente (grupo RSAKeyValue). Uma assinatura inválida resulta na rejeição (cStat 914) "Assinatura RSA inválida".

Validações do MDFe

A Inscrição Estadual (IE) do emitente geralmente precisa ser informada no MDFe. No entanto, há exceções importantes para o PAA:

  • A IE não será informada se a forma de emissão (tpEmis) do MDFe for Regime Especial da Nota Fiscal Fácil (3).
  • Se o MDFe for gerado por PAA (grupo infPAA), a IE do emitente é opcional, como no caso de Microempreendedores Individuais (MEI) não inscritos na UF.

Validações do Evento de Cancelamento e Encerramento

As regras K02 (para Cancelamento) e K05 (para Encerramento) validam se o emitente está habilitado na base de dados para emissão do MDFe, rejeitando o evento se não estiver (cStat 203). Contudo, há uma exceção:

  • Esta regra não é aplicada quando a forma de emissão do MDFe (tpEmis) for Regime Especial da Nota Fiscal Fácil (3) ou quando o MDFe for gerado por PAA.

Conclusão

A Nota Técnica 2022.002, versão 1.01, formaliza o uso do Provedor de Assinatura e Autorização (PAA) para o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDFe), delineando os procedimentos para sua operação e as regras de validação. As empresas que optarem por esta modalidade devem compreender o processo de vinculação, os padrões de certificado digital RSA e a estrutura de assinatura no XML do DFe.

A conformidade com as validações da SEFAZ Virtual RS, incluindo as específicas para o PAA, é fundamental para a autorização dos documentos fiscais. A utilização de um PAA pode simplificar a rotina de emissão, mas exige atenção aos detalhes técnicos e normativos estabelecidos pela legislação.

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Time Tributos.io

Especialista em Legislação e Normas

Profissional com experiência comprovada em consultoria tributária e fiscal, responsável por conteúdos técnicos publicados no blog.